SambaTalks T09E02 com Igor Freitas, Sócio e VP de Tecnologia da Informação da Cogna
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No novo episódio do SambaTalks, Gustavo Caetano e Everton Alves recebem Igor Freitas, Sócio e Vice-Presidente de Tecnologia da Informação da Cogna, para uma conversa sobre como estruturar inteligência artificial em uma empresa com alto nível de complexidade, múltiplos negócios e milhões de usuários.
A Cogna atua em diferentes momentos da jornada educacional, com milhares de escolas, universidades, editoras e plataformas digitais. Esse contexto traz um desafio relevante: lidar com um ambiente altamente heterogêneo, com sistemas, dados e arquiteturas distintas.
É a partir dessa realidade que Igor apresenta como a empresa tem construído um modelo consistente de aplicação de IA, com foco em valor, governança e escala.
IA em escala começa com estrutura, não com experimentação isolada
Um dos pontos centrais do episódio é a forma como a Cogna estruturou sua jornada com inteligência artificial.
Após um momento catalisador em 2023, a empresa criou um centro de excelência e estabeleceu um modelo claro de operação, baseado em governança, business cases e geração de valor. A lógica adotada evita iniciativas desconectadas e prioriza soluções que deixam um legado reutilizável.
A partir disso, nasce o conceito de marketplace de IA, um ecossistema interno onde soluções são desenvolvidas, disponibilizadas e reutilizadas por diferentes áreas da companhia.
“Não eram projetos que só nasciam e morriam. Eles deixavam um legado, um componente, uma solução.”
Marketplace de IA: reutilização, escala e governança
O marketplace se torna um dos pilares da estratégia da Cogna.
Nele, diferentes soluções são disponibilizadas para públicos distintos — alunos, professores, colaboradores e áreas internas — com acesso via APIs ou interfaces diretas. Esse modelo permite escalar iniciativas sem duplicar esforços e mantém um padrão mínimo de governança.
A arquitetura separa claramente:
camadas de dados
modelos (LLMs)
integração (gateways e APIs)
segurança e controle de acesso
Ao mesmo tempo, a empresa evita tanto a centralização excessiva quanto a descentralização descontrolada.
“Não deixo a Deus dará, mas também não sou o único determinante. A gente homologa e traz para o marketplace.”
Casos práticos: PLU, Edu e aplicações reais de IA
O episódio traz exemplos concretos de como a IA está sendo aplicada na Cogna.
No ensino básico, uma determinada solução permite que professores interajam com conteúdos didáticos, criando roteiros de aula, resumos, apresentações e materiais complementares de forma dinâmica.
No ensino superior, outra solução amplia essa lógica, incorporando conteúdos de vídeo, texto e até interações em tempo real, como no caso do Edu Ao Vivo, que interpreta aula, contexto e fala do professor simultaneamente.
Essas soluções foram construídas com base no mesmo modelo arquitetural, mas com dados e contextos específicos para cada público.
Um ponto relevante é que o maior desafio não foi necessariamente a tecnologia, mas o tratamento e organização do conteúdo.
“O grande trabalho foi taguear todo o conteúdo para que o modelo fosse assertivo.”
Adoção acontece quando há valor imediato
Ao contrário do que muitos imaginam, a adoção das soluções não exigiu grandes programas de treinamento.
A Cogna optou por inserir funcionalidades de IA como “pílulas” dentro de ferramentas já utilizadas, como o Plurall. Isso reduziu fricção e acelerou o engajamento.
“Foi meio natural. A IA veio como algo a mais dentro do que já existia.”
Esse ponto reforça um dos aprendizados mais relevantes do episódio: tecnologia só escala quando se encaixa no fluxo real de trabalho.
Agentes, governança e evolução do modelo
A Cogna já iniciou sua jornada com agentes de IA, mas com uma abordagem cuidadosa.
Antes de escalar, a empresa estruturou:
modelo de dados
AI Ops e ML Ops
ferramentas para criação de agentes
camadas de governança e controle
O objetivo é permitir autonomia sem comprometer segurança, custo e consistência.
“Não nasceu por nascer. A gente estruturou o ecossistema para que isso possa escalar.”
Além disso, a empresa adota uma abordagem pragmática na escolha de tecnologias, priorizando soluções que se adaptam ao contexto, inclusive open source, evitando dependência excessiva de fornecedores específicos.
Vibe Coding e a nova relação entre tecnologia e negócio
Outro ponto relevante da conversa é o papel do Vibe Coding e das ferramentas low-code/no-code.
Igor destaca que é possível, sim, colocar ferramentas nas mãos do negócio, desde que exista uma estrutura adequada de dados, segurança e governança. Na Cogna, áreas como RH e comercial já desenvolvem aplicações próprias dentro desse modelo.
Ao mesmo tempo, a engenharia de plataforma exerce um papel fundamental, garantindo consistência, reutilização e evolução das soluções.
Cultura: o fator que realmente sustenta a transformação
Apesar de toda a sofisticação técnica, o episódio deixa claro que o principal fator de sucesso não é a tecnologia.
A transformação só acontece quando há:
engajamento de professores e alunos
confiança no conteúdo
alinhamento com o negócio
e abertura para testar e evoluir
“Tecnologia sem cultura não escala.”
O futuro da educação: personalização em escala
Ao olhar para os próximos anos, Igor aponta que o conteúdo continuará sendo produzido por humanos, mas a forma de aprendizado será profundamente transformada.
A tendência é a evolução do ensino adaptativo e da hiperpersonalização, onde cada aluno aprende de forma diferente, com base em seu contexto, ritmo e necessidade.
“O conteúdo pode ser o mesmo. O que muda é como cada um aprende.”
Por que esse episódio importa
Mais do que discutir tendências, o episódio mostra como estruturar IA dentro de uma empresa real, com:
legado tecnológico
múltiplos negócios
milhões de usuários
e necessidade constante de geração de valor
É uma visão prática de como sair da experimentação isolada e construir uma operação de IA que escala com consistência.
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