SambaTalks T09E07 com Rodolfo Eschenbach, Presidente da Accenture para Brasil e Latam
- há 6 dias
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Quando alguém pensa em Accenture, pensa em escala. Uma empresa global, presente em centenas de operações, conselhos e projetos de transformação digital ao redor do mundo. No Brasil, são 19 mil pessoas distribuídas em 12 escritórios, da grande São Paulo a Belém.
Por trás dessa estrutura, há uma leitura muito particular sobre o momento que a IA atravessa, e sobre o que separa as empresas que vão extrair valor real dela das que vão ficar presas em pilotos sem resultado.
No novo episódio do SambaTalks, Gustavo Caetano e Everton Alves recebem Rodolfo Eschenbach, Presidente da Accenture para Brasil e América Latina, para uma conversa sobre IA, reinvenção, liderança, o futuro do software e o que está acontecendo nos bastidores da maior consultoria de tecnologia do mundo.
Engenheiro mecânico de formação, Rodolfo está há mais de 30 anos na Accenture e construiu uma carreira que passou por consultoria, transformação digital e indústria pesada. Esse arco aparece o tempo inteiro na forma como ele fala sobre tecnologia: com a perspectiva de quem já viu várias ondas chegarem e mudarem o jogo, da reengenharia ao ERP, do digital aos agentes autônomos.
IA é fácil de experimentar, mas difícil de escalar
Um dos pontos mais provocadores do episódio é a tese central que orienta toda a leitura do Rodolfo sobre o momento atual: IA é a primeira tecnologia que chegou pelas pessoas antes de chegar nas empresas. "Normalmente, os avanços tecnológicos vinham do mundo empresarial e depois iam para o mundo pessoal. Essa é a primeira tecnologia que está invertida."
A consequência disso, segundo ele, é que muita gente acha que adotar IA numa empresa é tão simples quanto baixar um app. Mas escalar é outra coisa. Quando a tecnologia entra no ambiente corporativo, surgem questões de confidencialidade, segurança, custo, integração com bases de dados e governança que simplesmente não existem no uso pessoal.
Por isso, segundo Rodolfo, os resultados mais consistentes vêm de empresas que focam em problemas específicos, e não daquelas que tentam democratizar a IA para todo mundo ao mesmo tempo.
Não é melhoria, é reinvenção
Outra palavra que aparece o tempo inteiro no episódio é reinvenção. Rodolfo conta que esse é o termo que a Accenture vem usando globalmente para descrever o que a IA está provocando nas empresas. E faz uma distinção importante: não se trata de melhorar processos existentes, e sim de repensá-los do zero.
"Antes, você desenhava o processo para que o ERP fizesse aquilo. A beleza do que a gente tem agora é o contrário. Você pensa o que você quiser e a tecnologia vai fazer."
O exemplo mais concreto vem de um projeto da Accenture com uma grande operadora de telecom, em 11 países da América Latina, onde 60% do atendimento já é feito por IA com voz.
O sistema reconhece sotaque regional, capta sentimento e ajusta o tom da conversa em tempo real. Para Rodolfo, o ponto não é a tecnologia em si, e sim o que ela permite redesenhar: o processo de atendimento foi reconstruído do zero, não apenas otimizado.
A decisão polêmica: quem não usa IA, não é promovido
Em um dos trechos mais comentados da conversa, Rodolfo conta uma decisão que a Accenture tomou recentemente sobre promoções internas: "A gente tomou uma decisão esse ano: quem não usa IA, não vou promover. Pode ser meio agressivo, mas o cara tem que saber usar."
A lógica é direta. Se um diretor da Accenture vai entrar em um cliente para discutir transformação digital, ele precisa dominar pessoalmente as ferramentas que está recomendando. A medida vem acompanhada de um movimento amplo de capacitação interna, com cursos sobre prompts, linguagem natural e modelagem, e da criação de uma rotina semanal no comitê executivo dedicada a estudar casos reais de uso da IA no mercado.
O verdadeiro diferencial competitivo não está na tecnologia
Talvez o argumento mais forte do episódio seja a tese de Rodolfo sobre onde está, de fato, o diferencial competitivo na era da IA. E a resposta dele é relativamente simples: não está na tecnologia.
"A tecnologia está evoluindo tão rápido que vai virar uma commodity. Qualquer um vai poder comprar. O que vai fazer a diferença é a liderança e a base de dados."
Sobre os dados, Rodolfo defende que a base privada de cada empresa é o que ninguém pode replicar. Internamente, a Accenture vem alimentando seus modelos com históricos de propostas, processos e projetos próprios, criando uma camada de inteligência que nenhum concorrente consegue acessar.
Sobre liderança, ele aponta três habilidades que considera críticas: curiosidade para experimentar, capacidade de fazer as perguntas certas e disposição para tomar decisões com forças de trabalho cada vez mais diversas.
O futuro do SaaS na era dos agentes
Outro bloco importante do episódio é a discussão sobre o que vai acontecer com os grandes players de software corporativo. As ações de empresas como Salesforce e HubSpot vêm sofrendo, e a hipótese que circula no mercado é a de que a IA vai tornar obsoleto o modelo de software como serviço.
Rodolfo é mais cauteloso. Para ele, esses softwares não vão desaparecer, mas vão precisar se reinventar:
"Eles vão trabalhar mais em colaboração com outros softwares. Vão trabalhar de uma forma muito mais ágil e fácil. E o que vai mudar bastante é o modelo de remuneração."
A previsão é que os contratos longos e rígidos do passado deem lugar a modelos comerciais mais flexíveis, com colaboração entre sistemas e agentes operando em camadas conversacionais como WhatsApp, Teams e outros canais que dispensam interface tradicional.
O que fica do episódio
A conversa com Rodolfo é a de alguém que viu o ciclo todo. Da régua T ao agente autônomo, do mainframe à cloud, do ERP ao redesenho de processos por IA. E a leitura que fica é a de que essa nova onda não vai recompensar quem tem mais tecnologia, e sim quem tem mais clareza sobre o que quer resolver, mais qualidade de dados e mais coragem para se reinventar antes que o mercado faça isso por ele.
Já pensou em como sua empresa vai diferenciar-se quando todo mundo tiver acesso às mesmas ferramentas?
O episódio responde essa pergunta com exemplos concretos, decisões reais e a visão de quem está no centro dessa transformação todos os dias.
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