SambaTalks T09E05 com Rodrigo Callisperis, CIO do Assaí
- 21 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de jun.
Quando alguém entra em uma loja do Assaí Atacadista, dificilmente pensa na complexidade tecnológica necessária para que tudo funcione. O cliente pega o produto na gôndola, passa no caixa, recebe ofertas, encontra estoque disponível e segue sua rotina.
Mas por trás dessa experiência existe uma operação que atende cerca de 40 milhões de clientes por mês, movimenta dezenas de bilhões de reais e coordena milhares de processos simultaneamente.
No novo episódio do SambaTalks, Gustavo Caetano e Pedro Filizzola recebem Rodrigo Callisperis, CIO do Assaí Atacadista, para uma conversa sobre tecnologia, inteligência artificial, operação em escala e os bastidores de um dos maiores varejistas do país.
Ao longo do episódio, Rodrigo compartilha aprendizados muito práticos sobre como equilibrar inovação, eficiência operacional e experiência do cliente dentro de um ambiente onde qualquer erro pode gerar impacto imediato em milhões de pessoas.
IA sem dado limpo continua sendo só expectativa
Um dos pontos mais interessantes da conversa acontece quando Rodrigo fala abertamente sobre os acertos e erros da jornada de IA dentro do Assaí.
Segundo ele, os melhores resultados vieram em iniciativas sustentadas por bases de dados muito bem estruturadas.
Precificação, abastecimento, personalização de ofertas e identificação de padrões operacionais foram áreas em que a companhia conseguiu evoluir usando inteligência artificial aplicada ao core do negócio.
Mas Rodrigo também deixa claro que várias iniciativas não avançaram como esperado quando os dados de origem não estavam organizados da maneira correta.
A reflexão é importante porque ajuda a tirar a IA de um lugar abstrato e trazer a discussão para uma realidade mais operacional. Antes de pensar em modelos sofisticados, agentes ou automações avançadas, existe um trabalho estrutural que precisa acontecer dentro das empresas.
E isso passa por governança, integração, contexto e qualidade da informação.
IA exige maturidade, não só ambição
Outro trecho forte do episódio aparece quando Gustavo pergunta sobre como priorizar iniciativas de IA em operações tão complexas.
A resposta do Rodrigo segue uma linha bastante pragmática: empresas precisam ter ambição, mas também precisam respeitar uma curva de maturidade.
Ele comenta que muitas organizações começam projetos de IA tentando atacar metas gigantescas logo na largada, sem que o time tenha letramento suficiente sobre como a tecnologia funciona, quais são suas limitações e qual contexto precisa ser construído para gerar resultado consistente.
Na visão dele, as melhores implementações acontecem em uma crescente.
Isso inclui:
capacitação das equipes
entendimento de casos de uso
construção de contexto
limpeza de dados
definição de regras
e adaptação operacional
Ao longo da conversa, Rodrigo reforça várias vezes que as boas aplicações de IA que encontraram no Assaí exigiram customização, orquestração e participação ativa das áreas de negócio. Não existe solução mágica.
Tecnologia invisível talvez seja a mais importante
O episódio também traz uma discussão interessante sobre a natureza da tecnologia dentro do varejo.
Pedro comenta que, para o cliente, tudo precisa parecer simples. Mas, nos bastidores, existe uma operação extremamente sofisticada acontecendo o tempo inteiro.
Rodrigo explica que a tecnologia no Assaí é vista como uma área a serviço do negócio. Não como uma estrutura isolada.
Isso aparece desde a forma como projetos são priorizados até a convivência entre sistemas modernos e legados críticos da operação.
Enquanto iniciativas ligadas a aplicativos, IA e experiência digital conseguem trabalhar em modelos mais ágeis, sistemas ligados ao funcionamento dos caixas exigem outro nível de controle e estabilidade.
Em operações desse porte, não existe espaço para interrupções.
E talvez esse seja um dos pontos mais ricos do episódio: entender que transformação digital em grandes empresas raramente acontece substituindo tudo de uma vez. Muitas vezes, ela acontece equilibrando inovação e continuidade ao mesmo tempo.
O varejo brasileiro continua sendo uma escola de eficiência
Em vários momentos da conversa, Gustavo reforça a complexidade de operar varejo no Brasil.
Juros altos, logística difícil, margens apertadas, pressão operacional e comportamento do consumidor formam um ambiente extremamente competitivo.
Por isso, o episódio mostra como empresas como o Assaí vêm usando tecnologia não apenas para inovar, mas para sustentar eficiência em escala.
No fim, a percepção que fica é que inteligência artificial, dados e automação não funcionam separados da operação real. Eles precisam estar conectados ao contexto do negócio, à maturidade das equipes e à experiência prática de quem executa o trabalho todos os dias.
E talvez seja justamente isso que torna o episódio tão valioso: menos discurso sobre hype e mais aprendizados de quem está implementando tecnologia em uma operação que impacta milhões de brasileiros diariamente.
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muita tecnologia...porém o cliente espera o básico, que haja operador de caixa para passar sua compra, e isso deixam bastante à desejar.